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Entretenimento

Shakira no Rio: programação com ‘after’ é estratégia para evitar ‘perrengue’ na volta para casa

maio 1, 2026Nenhum comentário0 Visitas


Show sem perrengue? Especialistas revelam estratégias que podem melhorar megaeventos
Para além de um espetáculo com mega hits, o retorno de Shakira ao Rio de Janeiro neste sábado (2) também será um teste de logística para a cidade.
A organização aposta em uma estratégia comum em festivais, mas nem sempre aplicada em megashows: esticar a programação com atrações após o show principal.
O objetivo é em vez de centenas de milhares de pessoas correrem para o metrô ao mesmo tempo, uma parte considerável do público permanecer no local, permitindo uma dispersão gradual.
A apresentação da cantora colombiana está prevista para terminar à meia-noite. Para conseguir “achatar a curva” da saída, a organização aposta em um “after”, a partir de 0h15, com Papatinho e e Melody.
Confira os horários dos shows:
A cantora colombiana Shakira
Getty Images
17h45 às 18h45: Vintage Culture
19h00 às 20h30: Maz
21h45 às 00h00: Shakira
A partir de 00h15: Papatinho convida MC Melody
Relembre como foi em Lady Gaga
O show de Lady Gaga, no Todo Mundo no Rio, em 3 de maio de 2025, reuniu mais de 2 milhões de pessoas na praia de Copacabana, segundo a Riotur. Foi cheio, bonito, e bem-sucedido em muito sentidos.
Mas para uma fração das pessoas que compareceu ao evento, a dificuldade para ir embora e pegar o transporte público foi um problemão… que quase estragou a experiência.
Tinha como um evento desse tamanho não ser caótico? Depende. Por um lado, até festivais como o Lollapalooza e o Rock in Rio, com lotação bem menor e ambientes mais controlados, enfrentam esse tipo de desafio. Mas por outro, sempre dá pra minimizar o problema.
“Um bom planejamento é aquele que as pessoas realmente não percebem. Você não quer que o transporte ou a segurança sejam a manchete”, conta Kaitlin Coari, especialista em coordenar cidades para sediar grandes eventos.
O g1 ouviu profissionais internacionais que trabalham com megaeventos, como Olimpíadas e grandes shows, e eles explicaram como fazem para minimizar os perrengues do público. Entenda os pontos principais:
Planejamento integrado
Mapeamento de diferentes cenários
Entradas e saídas
Transporte, segurança e sinalização
Infográfico mostra como facilitar o fluxo de pessoas em grandes eventos
Editoria de arte/g1
O g1 queria conversar sobre multidões com três das maiores produtoras brasileiras, mas elas não quiseram dar entrevistas. A Live Nation declarou que a área de movimento de pessoas faz parte do setor de segurança e é um assunto “levado a sério”. A Rock World disse que essa é uma preocupação de seus eventos (Rock in Rio, The Town e Lolla). A 30e não quis falar.
Planejamento integrado
Um evento – de qualquer tamanho – deve ser pensado como uma jornada completa, do trajeto de uma pessoa ao sair de casa, até o local do evento, e depois o caminho de volta. Esse planejamento inclui acesso ao local, entrada, uso do espaço interno e saída.
“Precisa haver um planejamento realmente proativo e um verdadeiro programa de prontidão em torno de diferentes cenários”, explica Kaitlin.
Isso deve começar o quanto antes, o que pode ser de anos a meses dependendo do evento. Lady Gaga já fechou o show em Copacabana? Agora, é preciso reunir as principais entidades responsáveis pela organização. Isso inclui não só a produção do evento, como instituições de segurança, transporte, e até o comércio local. A partir disso, eles levam em consideração as variáveis envolvidas.
Telões do show da Lady Gaga na Praia de Copacabana
Bruna Prado/AP
A especialista aponta que as edições anteriores do evento (ou similares) sempre são levados em conta –mas é preciso trabalhar com tudo que pode mudar em termos de público e comportamento.
“Cada evento é único em muitos aspectos. Seja o local em si ou o tipo de público que comparece, os artistas, os fãs ou de quem quer que seja que os receba. Então, todos esses perfis diferentes precisam ser levados em consideração.”
Com relação ao show de Madonna em Copacabana, por exemplo, os fãs de Gaga tendiam a ser mais jovens; além disso, o público poderiam se sentir mais seguros para comparecer em 2025 dado o sucesso de 2024. Tudo isso influencia.
Diferentes cenários
Como estimar a quantidade de pessoas em um evento gratuito? Os profissionais ouvidos pelo g1 apontam que só há uma solução: prever diferentes cenários. O inglês Brett Little — que trabalha com “movimentação de pessoas”, ou seja, a coordenação do fluxo do público dentro desses eventos — citou o exemplo de corridas olímpicas.
Sem venda de ingressos, a lotação de eventos desse tipo depende até do clima. “Você simplesmente não sabe o que vai acontecer.” Então, é preciso imaginar os cenários e seus respectivos planos.
Multidão em show de Madonna no Rio em 2024; público estimado foi de 1,6 milhão de pessoas
Fernando Maia/Riotur
“Ao atingirmos certos números, sabíamos quais estações de transporte ficariam sobrecarregadas. Havia diferentes planos de transporte em vigor, dependendo de quantas pessoas compareciam. Se ultrapassasse um determinado número, outras medidas seriam acionadas”.
O importante é que nenhum dos envolvidos seja pego desprevenido.
Já em um festival ou megashow que tem venda de ingressos, é mais fácil prever a lotação do evento. Mas é preciso calcular o fluxo de pessoas ao longo do dia e garantir que, caso lote antes do esperado, o evento consiga atender o público.
Entradas e saídas
Se tem muita gente no evento, é claro que vai ter fila. O jeito, então, é garantir que as pessoas fiquem o menos estressadas possível e que a movimentação seja organizada.
Brett conta que há soluções pensadas para cada tipo de aglomeração — você pode, por exemplo, informar o tempo de espera na fila, o que já acontece em parques temáticos. Isso ajuda o público a se organizar e reduz a frustração.
Além disso, ele relata que filas mais longas (tipo zigue-zague) podem ser eficazes. Parece contraditório, mas a maior parte das pessoas prefere andar devagar ao longo de um grande caminho do que ficar paradas em uma pequena fila. “Movimento dá a sensação de progresso”, diz Brett.
Outra solução pode ser alocar outras atrações e “distrações” após o artista principal, como um DJ ou ativação de marca. No caso de eventos como o Lollapalooza, o fato do último show ser do headliner complica a saída dos fãs.
Apresentações como a de Billie Eilish, em 2023, ou de Olivia Rodrigo, em 2025, reuniram cerca de 100 mil pessoas, muitas delas indo embora simultaneamente após a apresentação.
Público durante show no Lollapalooza 2023 em São Paulo
Fábio Tito/g1
“Muitas pessoas só querem sair, muitas pessoas querem ir para casa, e tudo bem. Mas se você tem algumas ativações, você meio que captura as pessoas dessa forma. E também você meio que espalha a saída, espalhando a fila potencialmente”, explica Kaitlin.
O público também pode ser encaminhado para saídas mais longas ou alternativas para reduzir a pressão nos acessos principais. “Então eles têm que andar para chegar lá porque, novamente, isso só desacelera a multidão, desacelera tudo, controla tudo.”
“O que você não quer é que todos que estão dentro do show de repente fiquem do lado de fora da estação e fiquem ali esperando porque ninguém está feliz”.
Transporte, segurança e sinalização
Os profissionais afirmam que informar é essencial: antes (nas redes sociais e em pontos de informação) e durante o evento (com sinalização clara). É preciso também levar em conta o perfil do público e a forma que ele se comunica: em eventos com muitos gringos, como Copa do Mundo, placas com sinais visuais podem ser mais eficazes do que escrever os comandos em inglês.
Kaitlin aponta que é “crítico” ter uma equipe informada e de prontidão em campo, o que inclui ajuda voluntária, funcionários ou seguranças.
Também é papel do organizador apontar a melhor forma de ir embora, e garantir que isso seja bem comunicado. No “Gagacabana”, a Prefeitura sugeriu a estação Siqueira Campos. Não deu muito certo.
Fãs se reúnem antes do show aberto de Lady Gaga na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Daniel RAMALHO / AFP
Para Brett, só faz sentido direcionar o público para uma estação específica caso ela seja de grande porte. “É necessário calcular quanto do público cada estação pode abarcar. Se uma estação só comporta 20% do público, é necessário direcionar os outros 80% para outras opções. Às vezes é mais lógico enviá-las um pouco mais longe”.
Kaitlin reforça que é possível lidar com apenas uma estação, mas isso também requer organização. “Há maneiras de alongar a fila de tal forma que talvez seja um pouco irritante no momento para o cliente. Mas na verdade isso ajuda no estado mental deles, no fluxo e na segurança deles no trem ou ônibus ou qualquer outra coisa, contanto que você mantenha a fila andando”.
“Então, você nunca quer que essas filas parem, porque é aí que as pessoas ficam meio inquietas e começam a ficar um pouco preocupadas com a segurança, meio que empurrando e aglomerando”.

Fonte: G1 Entretenimento

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