
Influenciadora investigada por jogos ilegais é alvo de buscas e tem bens bloqueados
As viagens de luxo para destinos como Dubai, Paris, Londres, Las Vegas, Ilhas Maldivas e Curaçao foram pontos-chave para que a Polícia Civil identificasse a ostentação de Elizabeth Melo, investigada por lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar. O estilo de vida luxuoso, compartilhado com seus mais de 65 mil seguidores, é totalmente incompatível com a renda declarada pela influenciadora, que variava entre R$ 1,9 mil e R$ 5 mil mensais.
A Operação Sorte Falseada foi deflagrada nesta sexta-feira (26), após denúncias de que a influenciadora digital Elizabeth Melo utilizava seu alcance nas redes sociais para promover o “jogo do tigrinho” e realizar sorteios de prêmios, como celulares e dinheiro, sem autorização do Ministério da Fazenda. Além da exploração de jogos de azar, a Polícia Civil apura crimes de lavagem de dinheiro e ameaças que a investigada teria feito contra pessoas que pretendiam denunciar as plataformas.
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Em sua defesa, Elizabeth Melo utilizou uma conta reserva no Instagram para negar as irregularidades, afirmando que não possui “laranjas” e que todo o seu patrimônio está registrado em seu nome. Ela ressaltou que a investigação ainda está em curso e que não houve condenação.
“É uma investigação, não sou condenada. [Os policiais] estiveram aqui, me trataram super bem, foram super educados comigo […] As minhas coisas sempre foram [registradas] no meu nome. Eu não tenho laranja, não tenho rabo preso com ninguém, não ocultei patrimônio. Então não tenho o que temer”, afirmou a influenciadora.
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Dinheiro, documentos e aparelhos eletrônicos foram apreendidos em operação
Hiago Muniz/Governo do Tocantins
De acordo com o relatório da Operação Sorte Falseada, além das viagens há a aquisição de bens de alto valor. Elizabeth comprou um apartamento em Palmas avaliado em R$ 300 mil, realizando o pagamento integralmente em espécie (dinheiro vivo). Além disso, a investigação listou a posse de veículos de luxo, incluindo uma caminhonete Toyota Hilux 2024, uma Chevrolet S10 e um Tracker, bens apreendidos.
A engenharia financeira utilizada para sustentar esse padrão de vida envolvia a criação de empresas de fachada, como a BM Marketing Digital e o Ateliê 7 Cabanas. Segundo a polícia, essas empresas não possuíam atividade comercial real — evidenciada pela ausência de notas fiscais de saída —, mas recebiam vultosas quantias de processadoras de pagamento ligadas a cassinos online internacionais. Esses valores eram então movimentados para ocultar sua origem criminosa.
Smurfing e ameaça
Outro ponto destacado no relatório policial é a prática de “smurfing”. Elizabeth realizava saques fracionados, sempre em valores inferiores a R$ 50 mil, em uma tentativa deliberada de burlar os alertas automáticos de órgãos de controle do Banco Central, como o Coaf. Entre março de 2023 e março de 2024, essa movimentação fragmentada somou mais de R$ 3,5 milhões.
As investigações mostraram que empresas vinculadas à influenciadora, como a BM Marketing Digital, funcionavam como estruturas de fachada para receber repasses de processadoras de pagamentos ligadas a cassinos online internacionais. Apesar de movimentar milhões, essas empresas não possuíam atividade comercial real registrada, o que indicaria uma estratégia para distanciar o lucro ilícito de sua origem criminosa.
Além dos crimes financeiros, a influenciadora é investigada por proferir ameaças diretas em seus vídeos contra seguidores que demonstravam a intenção de denunciar as plataformas de apostas ilegais, conhecidas como “jogo do tigrinho”. A Polícia Civil solicitou a suspensão cautelar de suas redes sociais e o bloqueio de até R$ 3,4 milhões em ativos financeiros para garantir a reparação ao Estado.
Durante o cumprimento dos mandados de busca em Gurupi, os agentes apreenderam dinheiro em espécie, incluindo notas de dólar, além de cartões bancários e objetos pessoais. A Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros que podem chegar a R$ 3,4 milhões, além do sequestro de imóveis e veículos de luxo para garantir a futura reparação dos danos ao Estado.
A ação faz parte de uma mobilização nacional de combate ao crime organizado coordenada pelo Ministério da Justiça. No Tocantins, o caso é conduzido pela 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC), que obteve autorização judicial para suspender os perfis de Elizabeth nas redes sociais e periciar dispositivos eletrônicos em busca de novas provas da engenharia financeira.
Influenciadora Beth Melo é investigada pela Polícia Civil
Reprodução/Instagram de Beth Melo
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