
Dois oficiais da PM suspeitos de participação na chacina de Miracema são afastados
Mais dois oficiais foram afastados da Polícia Militar do Tocantins (PM-TO). As dispensas das funções de confiança foram publicadas no Diário Oficial do Estado desta terça-feira (12). Wallas de Sousa Melo e Wilquer Barbosa de Sousa estão entre os 23 militares presos na última semana por suspeita de envolvimento na chacina que terminou com sete mortos em 2022, em Miracema do Tocantins.
Os novos afastamentos se somam ao tenente-coronel Douglas Luiz da Silva, que atuava como ajudante de ordens do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos). Logo após a operação, a Casa Militar já havia informado que o oficial foi retirado de suas funções e de todas as agendas oficiais (veja a nota na íntegra ao final da reportagem).
A investigação apura os assassinatos cometidos em fevereiro de 2022. Segundo a Polícia Civil, as execuções foram uma represália à morte do policial militar Anamon Rodrigues de Sousa. A Justiça afirma que o grupo usou a estrutura do Estado, como viaturas, armas e sistemas de comunicação, para monitorar, sequestrar e matar as vítimas.
O g1 entrou em contato com a defesa dos investigados, que informou que não vai se manifestar neste momento.
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Segundo a investigação da Polícia Civil, o major Wallas de Sousa Melo ficou estacionado em um ponto estratégico e teria orientado a fuga dos executores após os assassinatos. Já o major Wilquer Barbosa de Sousa é suspeito de manipular dados do GPS das viaturas e combinar versões com outros militares para ocultar os locais onde as equipes realmente estavam durante os crimes.
A Polícia Militar reafirmou, em nota, que não compactua com desvios de conduta e que colabora com as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual. A defesa dos militares informou que aguarda acesso integral aos autos para se manifestar (veja a nota na íntegra ao final da reportagem).
Chacina deixou sete mortos em Miracema do Tocantins
Motagem/g1
Além das prisões, a decisão impôs sanções rigorosas a todos os 23 presos, incluindo o afastamento imediato das funções públicas, a suspensão da posse e do porte de armas de fogo, sejam particulares ou funcionais, a proibição de acesso a unidades policiais e também a proibição de contato com a vítima sobrevivente, familiares das vítimas e investigadores.
O afastamento administrativo varia conforme o cargo. Oficiais em funções de confiança, como majores e o tenente-coronel, precisam de dispensa formal via Diário Oficial. Já os demais presos — capitães, sargentos, cabos e soldados — são afastados das funções públicas por ordem da Justiça.
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Entre os investigados estão os oficiais:
Douglas Luiz da Silva – tenente-coronel e ajudante de ordens do governador;
Wallas de Sousa Melo – major;
Yurg Noleto Coelho – major;
Wilquer Barbosa de Sousa – major;
Gleiston Ribeiro Pereira – capitão.
Yurg Noleto e Gleiston Ribeiro são os únicos oficiais presos que ainda não tiveram o afastamento administrativo decretado pelo governo.
Quais foram as participações dos oficiais
Conforme a decisão colegiada dos juízes da 1ª Vara Criminal de Miracema do Tocantins, o tenente-coronel Douglas Luiz da Silva é apontado como integrante de uma equipe que utilizou um veículo oficial para permanecer por longo período no local onde três vítimas foram abordadas no loteamento Jardim Buriti.
De acordo com os registros, o carro ficou estacionado em um ponto estratégico durante a madrugada e, depois, seguiu trajeto compatível com o deslocamento de quatro jovens que foram abordados. As informações prestadas pelo grupo teriam omitido essa permanência, o que sugere tentativa de ocultar a movimentação.
O major Wallas de Sousa Melo aparece nas investigações sobre a invasão da Delegacia de Miracema e foi visto circulando nas imediações horas antes do ataque. Imagens mostram que ele passou em frente à unidade e permaneceu estacionado em local estratégico até pouco antes das execuções.
Segundo a decisão da Justiça, há indícios de que tenha mantido contato com os executores e orientado a dispersão após os crimes, além de não ter determinado diligências imediatas.
O major Yurg Noleto Coelho é apontado como uma das principais lideranças informais do grupo. Ele teria coordenado equipes, emitido ordens durante a ação e posicionado viaturas em pontos estratégicos com visão das rotas de fuga. Também há indícios de participação na retirada de equipamentos de gravação para eliminar provas e na organização das ações posteriores aos crimes.
O major Wilquer Barbosa de Sousa é citado como responsável por atuação conjunta na manipulação de registros de viaturas. Os dados indicam possíveis irregularidades ou adulterações nos sistemas de monitoramento de veículos, com alinhamento de versões com outros envolvidos.
O capitão Gleiston Ribeiro Pereira teve a participação associada ao uso de um veículo que circulou repetidamente entre o local da abordagem e o loteamento onde ocorreram as execuções. Registros técnicos mostram que o carro esteve presente nos momentos-chave da ação.
Também há indicação de que o capitão procurou informações sobre a vítima sobrevivente após o crime, o que sugere interesse direto no desfecho do caso.
Além das prisões, a decisão impôs sanções rigorosas a todos os 23 presos. Um outro policial militar não teve a prisão decretada, mas também foi submetido às medidas cautelares.
Afastamento imediato das funções públicas.
Suspensão da posse e do porte de armas de fogo (particulares ou funcionais).
Proibição de acesso a unidades policiais.
Proibição de contato com a vítima sobrevivente, familiares das vítimas e investigadores.
Íntegra da nota da Polícia Militar
A Polícia Militar do Tocantins informa que tomou conhecimento da decisão judicial que determinou o cumprimento de medidas cautelares em desfavor de policiais militares, incluindo mandados de prisão preventiva e medida de afastamento das funções públicas, no âmbito de investigação conduzida pela Polícia Civil do Estado do Tocantins.
A Corporação esclarece que acompanha o caso por meio da Corregedoria-Geral da PMTO, prestando o apoio institucional necessário ao cumprimento das determinações judiciais e às autoridades responsáveis pela investigação.
A Polícia Militar do Tocantins reafirma que não compactua com quaisquer desvios de conduta praticados por seus integrantes, mantendo o compromisso permanente com a legalidade, a ética, a disciplina e a transparência institucional.
Ressalta-se que os fatos são objeto de apuração pelos órgãos competentes, sendo assegurados aos envolvidos o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, conforme prevê a legislação vigente.
A Polícia Militar do Tocantins seguirá colaborando com as instituições responsáveis, reafirmando seu compromisso com a preservação da ordem pública, da credibilidade institucional e da confiança da sociedade tocantinense.
Íntegra da nota da Casa Civil
A Casa Militar informa que tomou conhecimento nesta sexta-feira, 8, da decisão judicial que determinou o cumprimento de medidas cautelares em desfavor do policial militar, servidor do órgão.
A CAMIL esclarece que o policial militar foi afastado de todas as suas funções de Ajudante de Ordens e de todas as agendas oficiais.
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