
Homem que se apresentava como líder espiritual é indiciado por 19 crimes em Palmas
Tapas, socos, ameaças, importunação sexual e indução ao uso de drogas foram alguns dos crimes denunciados contra o líder religioso Fábio Coelho Leite, de 38 anos. Segundo a investigação, ele se aproveitava do cargo que exercia em uma Casa de Acolhida na quadra 409 Norte, em Palmas, para praticar violência psicológica com os frequentadores.
A polícia concluiu sete inquéritos e indiciou Fábio Coelho por 19 crimes. Entre os indiciamentos atribuídos ao investigado, seis são por violência psicológica contra a mulher, três por ameaça e dois por injúria. Os demais crimes são: importunação sexual, violação de domicílio, indução ao consumo de drogas ilícitas, lesão corporal, perseguição, injúria real e discriminação por identidade de gênero.
A defesa de Fábio informou que ele irá se posicionar apenas no processo, que está em sigilo, e irá contestar todas as acusações na Justiça.
A Associação das Casas de Culto de matriz afro-brasileira do Tocantins disse que Fábio foi suspenso das atividades religiosas após as primeiras denúncias. A instituição lamentou a dor das vítimas e informou que “os atos de um não representam os atos de todos”.
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Fábio Coelho foi indiciado por 19 crimes ao usar posição em terreiro para coagir vítimas
Reprodução/TV Anhanguera
Agressões e indução ao uso de drogas
Em entrevista à TV Anhanguera, vítimas do líder religioso, que não quiseram ser identificadas, explicaram como as violências eram cometidas dentro da Casa. Segundo um casal, as pessoas frequentavam o local com medo.
Homem: “Ele já havia agredido um grande amigo, onde ele havia jogado bebida no rosto de um grande amigo. Ele retornou ao espaço, botou todo mundo em roda e nesse momento, ele me proferiu um soco no peito”.
Mulher: “As pessoas tinham medo de ser a pessoa rechaçada do dia em cada gira que passava. Os frequentantes sempre iam assim, com medo, e eles tinham medo também de pedir para sair, porque toda vez a gente via que todo mundo que saía era ameaçado, era perseguido, ameaçado de morte”.
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Conforme a investigação, Fábio dizia incorporar espíritos em rituais de bênção para coagir as vítimas e cometer os crimes. Uma frequentadora denunciou à polícia que sofreu toques de cunho sexual sem consentimento, e o líder religioso alegava que estava “incorporando uma entidade espiritual”.
Após o episódio, ela também teria sido alvo de assédio e teve a casa invadida pelo suspeito durante a noite.
Outra vítima contou que foi humilhada e agredida por cochilar. “Quando caiu a ficha para mim, ‘o que que que que eu tô fazendo aqui’ foi, definitivamente, quando eu levei um tapa na cara enquanto estava cochilando. Estava de madrugada, não estava aguentando ficar acordado. E a ‘entidade’ dele que deu um tapa na minha cara”, explicou.
Casal foi vítima de líder religioso em Palmas
Reprodução/TV Anhanguera
Terror místico
A prática, chamada de “terror místico” pela polícia, também identificou que o líder religioso fornecia maconha e cocaína antes das sessões, justificando que as drogas iriam ajudar na conexão espiritual. Segundo o delegado Tulio Mota, o líder agia de forma abusiva e coagia as pessoas a seu bel-prazer.
“Conjunto de crimes praticados em um determinado período de tempo. Crimes esses que restaram praticados em ofensas contra a honra, contra a integridade física e principalmente contra o psicológico de várias pessoas que acreditavam estar ali em uma atividade religiosa, quando, na verdade, estavam ali sendo abusadas”, disse.
Fábio responde pelos crimes em liberdade e o caso está com o Ministério Público do Tocantins. Para as vítimas, essa é uma situação revoltante e o desejo é que a Justiça seja feita.
“Eu espero que ele seja preso, que ele pague por todos os crimes dele, porque ninguém tem paz. Enquanto ele estiver solto por aí, ele vai continuar fazendo essas coisas porque é o ganha-pão dele. Esse é o ganha-pão dele. É ter esses seguidores, dá para ele uma conta de água, uma conta de energia paga”, contou uma das vítimas.
Mulher é vítima de líder religioso em Palmas
Reprodução/TV Anhanguera
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